Todos nós temos nossos problemas. Entretanto, saturamos nossa importância no mundo. Sabendo disso, leia:
"Nada mais valioso que essa pedra de rubi!" - disse o rei daquelas terras.
Ele era muito orgulhoso pelo patrimônio que construiu para a sua família roubando, mentindo e usando de artifícios que ultrapassavam a honra. Não teria sido diferente com aquela joia que possuía nas mãos: enganou uma jovem moça que portava a pedra como única riqueza para criar o filho; disse que trocaria por algumas centenas de dinheiro e apenas fugiu deixando a mãe aos prantos.
"Tão bela e tão formosa és que será o símbolo do meu reino" - disse animado já pensando em decorar o castelo inteiro combinando com a cor da pedra.
Foram cobrados impostos caríssimos para trocar todas as bandeiras, brasões, estátuas e afins. As pessoas do reino foram acometidos por uma epidemia fatal de fome e miséria. Ninguém possuía comida alguma e com o estômago vazio perderam a visão e a vontade de viver.
O rei, apreciando uma tarde de domingo, resolveu conferir o reino e sua reforma em homenagem ao rubi e pôs-se a andar adornado da pedra como colar. Conforme passava pelas ruas, estufava o peito para gabar-se do vermelho-sangue vitorioso com o qual ostentava sua riqueza, porém, ninguém nem ao menos notou a presença do rei.
Estavam ocupados demais sofrendo pela pobreza e pela falta de visão que não se curvaram a majestade. O rei, furioso com aquela ignorância, questionou um dos aldeões:
"Por que não contempla minha preciosidade?" - levantou o pobre homem pela goela.
"Minha fome não vadia com seu egoísmo" - respondeu engasgado o mendigo.
O rei soltou-o e prosseguiu seu caminho rumo ao pôr do sol avermelhado.
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